O primeiro-ministro de Portugal, o sr. Luís Montenegro (PSD, direita), escolheu esta terça-feira (08) para uma sessão de desabafos. Perorou sobre a comunicação social, definiu objetivos políticos do seu governo para esta área e apontou o dedo aos jornalistas. Na verdade, o chefe do executivo da aliança direitista apostou no contacto de proximidade, ou seja, “olhos nos olhos”. Que susto, penso eu.
De fora das críticas ficou o seu próprio governo, é claro, e, pasme-se, as oposições, nomeadamente o PS, com quem tem vindo a manter nas últimas semanas um autêntico arrufo de namorados, em torno de dois pontos da sua proposta de Orçamento do Estado para 2025, isto é, do IRC e do IRS. De um lado, o chefe do PSD, do outro o do PS. Ambos adotaram linguajar bélico: linhas vermelhas para aqui, linhas vermelhas para acolá. Horas e horas de noticiários televisivos, de debates, páginas, centenas de páginas de artigos sobre o IRC, à volta do IRS para jovens e manos jovens. Por enquanto, o que se sabe do OE são as tais linhas vermelhas. Poderiam ter escolhido outras cores: o azul à porto, o verde molho salsa, o laranja cavaquista, enfim a paleta das cores à disposição é imensa.
É certo, em minha opinião, que algumas das críticas com que Montenegro mimou o jornalismo dos nossos dias procedem. Convenhamos: não bastam quatro ou cinco anos de uma licenciatura para exercer a profissão com a dignidade que lhe é devida. É preciso algo mais, como ler, ler muito, ler jornais, ler revistas, ler artigos, ler ficção, não confundir, por exemplo Beirute, capital do Líbano – onde os genocidas e terroristas que governam Israel estão a massacrar a população-, com festival de música de Bayreuth, na Alemanha.
Não convém atropelar as regras gramaticais ( um ou outro atropelo não mata ninguém) e, importante, diria mesmo fundamental, não fazer fretes ao primeiro-ministro, seja ele quem for.
O afã com que o sr. Montenegro se lançou sobre os jornalistas deixou-me a sensação de que alguém não anda a fazer os fretes que dariam jeito a São Bento.
Quanto ao resto, certamente teremos mais amanhã.

Deixe um comentário