Abro uma nova etapa na minha vida. Para assinalar o feito, decidi criar este blog. O Portugal Digital e o África 21 Digital acabaram, terminaram, morreram. Ponto final. Foram quase três décadas de muito trabalho, de muitas frustrações, mas também de algum reconhecimento profissional.
Enfim, valeu a pena. Não tanto pelo rendimento que me foi sustentando, mas, sim, pelo prazer profissional em fazer o que ainda ninguém tinha feito: reunir no mesmo espaço digital informação e opinião relativa ao Brasil, Portugal e países africanos lusófonos.
Agora, em mais uma manhã outonal, com nuvens fechadas e cinzentas, olho para o “casal” – assim denominam por estes lados a pequena propriedade rural onde me acolhi – e vislumbro a folhagem da acácia que teima em sobreviver, quase sozinha, por entre o arvoredo de pinheiros bravos e mansos que, em liberdade, por aqui foram prosperando, à falta de agricultura produtiva. Falta-me o conhecimento e os cabedais para tal.
Talvez, um dia, ainda tenha tempo e posses para embelezar este quinhão com algumas oliveiras que, dizem-me, não precisam muito para sobreviver, até em terras áridas, que não é o caso. Trata-se de uma nova divagação, com reduzida possibilidade de concretização. Dizem-me os menos sonhadores que me rodeiam.
Volto à pobre acácia que, sozinha, teima em crescer. Foi nela que me inspirei para batizar este blog, criado com a ajuda decisiva do meu filho Miguel. Acreditem: eu e a tecnologia temos conflitos quase insanáveis.
Bem, confesso: Este projeto mais não é que a busca por alento para enfrentar uma nova etapa de vida, em que os dias se irão suceder em relativa solidão, no sopé de Montejunto, de onde sopra o vento frio e chega a chuva.
No Brasil aprendi, entre muitas outras coisas, a transformar limões amargos em boas limonadas. E também em saborosas caipirinhas. Assim, convenço-me que estar só não será necessariamente uma catástrofe, mesmo nos dias invernosos que se aproximam. A lenha, resguardada no alpendre que o meu pai nos deixou, junto ao poço, está pronta para aquecer a casa e acalentar-me a alma.
Afinal, esta nova etapa não será muito diferente de outras menos felizes que marcaram a minha vida. Mas, desengane-se o leitor ou a leitora. A minha vida não foi um mar de infortúnios. Pelo contrário. Em abono da verdade a que me obrigo posso dizer, com uma boa dose de sinceridade, que tenho sido feliz. Na profissão que escolhi e nos amores e desamores que vivi.
Assim, a partir de hoje, visitarei este blog com a assiduidade que me aprouver. E nele darei a conhecer, a quem tenha a paciência de me ler, como entendo o que de mais relevante, na minha opinião, vai acontecendo no mundo, tão maltratado. E quem queira acompanhar-me, faça o favor…as minhas páginas estarão abertas.
Termino aqui este primeiro dia do À sombra da acácia. Bom dia. Sejam felizes.
A nossa notícia do dia
A agência de notícias Lusa destaca que “Montenegro quer jornalismo sustentável, tranquilo, menos ofegante e sem perguntas sopradas”.
O primeiro-ministro afirmou hoje que pretende em Portugal um jornalismo livre, sem intromissão de poderes, sustentável do ponto de vista financeiro, mas mais tranquilo, menos ofegante, com garantias de qualidade e sem perguntas sopradas, citamos a agência.
“Digo-vos isto preocupado com as garantias de qualidade naquilo que é o exercício de uma profissão efetivamente muito relevante”, declarou Luís Montenegro no final da intervenção com cerca de 30 minutos, feita de improviso, na abertura da conferência sobre “O futuro dos media”, em Lisboa.
“Mas temos a obrigação de possuir um edifício legislativo e de construir os alicerces da sustentabilidade financeira deste setor para que possa depois traduzir-se em maior grau de liberdade e em prosseguição do interesse público de informar”, justificou, numa alusão ao plano do seu Governo para o setor.
Luís Montenegro fez a seguir várias apreciações sobre a atividade jornalística, começando por observar que “é tão importante ter bons políticos como bons jornalistas para que a democracia funcione”.
E avança, destemido, desejando que a comunicação social seria melhor se fosse “mais tranquila na forma como informa, na forma como transmite os acontecimentos e não tão ofegante”. Esclarece o ofegante: “às vezes, dá uma notícia que parece que é de vida ou de morte, quando afinal as coisas estão a funcionar, quando afinal é preciso saber que em cada momento nós estamos a discutir um determinado assunto”.
Em seguida, Montenegro entra na área da “provocação”. “Vou fazer aqui esta pequena provocação, não é para criticar ninguém em especial. É só para verem como é que eu, do lado cá, que também é a minha obrigação, me impressionam, seja pela positiva, seja pela negativa”, diz.
O que incomoda o sr. primeiro-ministro
“Uma das coisas que mais me impressiona hoje, quero dizer-vos aqui olhos nos olhos, é estar com seis ou sete câmaras à minha frente e ter os jornalistas a fazerem-me perguntas sobre determinado acontecimento e ver que a maior parte deles tem um auricular no qual lhe estão a soprar a pergunta que devem fazer. E outros à minha frente pegam no telefone e fazem a pergunta que já estava previamente feita”.
Pretensiosamente didático, ufano da sua qualidade de primeiro-ministro, Montenegro cai na real e desabafa, mais uma vez. “Assim, os senhores jornalistas não estão a valorizar a sua própria profissão, porque parece que está tudo teleguiado, está tudo predeterminado”.
Animado, perante uma plateia silenciosa que não reage às provocações, Luís Montenegro conclui: “Na minha opinião isso não valoriza o jornalista, nem valoriza o jornalismo. Deixo-vos este relato, que é a minha opinião. Não pretende ser mais do que isso. É uma forma de vos dizer que as garantias do exercício livre do jornalismo têm a colaboração de todos, e este esquema, francamente, não é o que valoriza mais a função, porque para isso não é preciso ser jornalista”.
“Para fazer a pergunta que o outro sopra para o ouvido, ou para ler a pergunta que está num SMS do telefone, sinceramente não é uma especial qualificação”.
Suponho, só suponho, que Sua Excelência terá encerrado a sua preleção com um bolorento “tenho dito”, como era comum às autoridades nos tempos do antigamente.

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