Já lá vão seis meses que Montenegro sucedeu a Costa no Palácio de São Bento, em Lisboa. O anterior, centrista por natureza, redecorou-o. Este ainda não se conhece o que lhe fará.
O anterior foi responsável por uma governação desastrosa nas mais diversas áreas, ineficiente e embrulhada em escândalos. O atual, Montenegro, tem-se dedicado a culpar Costa por tudo o que está mal. Enfim, a tradicional política do passa-culpas.
Foi um primeiro semestre de governação vazio de concretizações. Estou a ser injusto: o governo tem distribuído uma mão-cheia de moedas aos setores profissionais mais sensíveis. Nada mais que isso. Os ímpetos reformistas esgotaram-se na campanha eleitoral.
Seis meses depois de tomar posse, o primeiro-ministro parece continuar em campanha. Multiplica-se em promessas e em declarações de auto-elogio. O homem apresenta-se como um salvador da pátria. A versão lusa do brasileiro sinhôzinho Malta que, já lá vão mais de três décadas, fez as delícias dos telenoveleiros dos dois lados do atlântico. Ah, eu também segui as peripécias desse trapalhão político.
A proposta de Orçamento para 2025 que o governo entregou aos parlamentares parece ter sido feita à medida dos interesses dos grandes grupos económicos e dos ditames de Bruxelas. O destino que a proposta terá é, ainda, uma incógnita. Pedro Nuno Santos, o líder do Partido Socialista, sucessor de Costa à frente do maior partido da oposição, aposta em manter escondida a sete-chaves a sua decisão.
Uns querem que aprove o Orçamento; alguns dos seus correlegionários, pelo contrário, recomendam voto contra; outros sugerem a abstenção.
Muitos comentadores, uma boa parte deles especialistas em tretas e nada mais, pressionam pela aprovação. Um dos argumentos é que o Orçamento proposto pela dupla PSD-CDS, ou seja, a direita social-democrata menos conservadora e a direita mais conservadora, poderia muito bem ter sido construído pela ala social-democrata dos socialistas. O não entendimento, avaliam, poderá obrigar a novas eleições legislativas. O que, dizem, abriria uma crise política.
Não sei por que razão a realização de eleições antecipadas, num sistema de democracia ocidental, pode ser vista como uma crise. Bem, alguns vão mais longe e brandem a ameaça do Chega, a extrema-direita chefiada por Ventura, um charlatão político que se tem aproveitado, com algum êxito eleitoral, das fragilidades e esclerosamento dos partidos tradicionais, da direita à esquerda.
Concluindo, até agora o governo Montenegro não conseguiu fazer seja o que for que contribua para melhorar o país, no plano social, económico e político. A sua obsessão está centrada num dissimulado plano de sucateamento de empresas e serviços públicos para entrega a privados, ao preço da banana, quando está barata, é claro. Sem surpresas.

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