A poucos dias da eleição presidencial nos Estados Unidos, a batalha entre Kamala Harris, do Partido Democrata, e Donald Trump, do Republicano, agita os mercados internacionais, aumenta as preocupações das principais autoridades financeiras e coloca em alerta governantes de diversos quadrantes políticos e ideológicos.

As mais recentes sondagens indicam que a aparente vantagem de Kamala após a sua indicação pelos democratas se tem vindo a diluir face à campanha cada dia mais agressiva do histriónico Trump, com promessas de isenções fiscais e colocação no mercado de bilhões de dólares.

Já a adversária parece apostada em garantir aos norte-americanos uma política de continuidade da administração do presidente cessante, Joe Biden, que levou ao afastamento de milhões de eleitores, sobretudo das classes trabalhadoras, insatisfeitos com a condução da economia.

A vitória de Trump, de acordo com analistas financeiros citados pela agência de notícias Reuters, poderá levar ao aumento de tarifas, emissão de dívida e retrocessos ou mesmo a paralisação de medidas, mesmo que tímidas, para enfrentar as mudanças climáticas.

No fundamental, os EUA vivem, apesar do brilho feérico dos anúncios luminosos em Wall Street, a crise do sistema capitalista, agravada pela crescente influência nos centros de decisão do complexo militar-industrial, que determina políticas económicas e opções geoestratégicas que têm resultado em conflitos internacionais, ameaçando ainda mais a periclitante paz global.

Para muitos eleitores, Kamala e Trump são apenas duas face da mesma moeda. Assim, consideram que a escolha será entre o “mal menor”, ou seja Kamala, para os mais esclarecidos politicamente, ou a opção pela embriaguez por promessas de um sonho americano de prosperidade para os mais crédulos. Já os mais avisados avaliam, penso eu, que quer Kamala Harris, quer Donald Trump dificilmente poderão travar o estrutural declínio do império.

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