Aí está! Trump ganhou. Sem ponto de exclamação. Até ao último minuto, os comentadores, analistas e afins apostavam num dramático empate. Seguiam o que a indústria norte-americana de sondagens de opinião indicava. No Brasil e em Portugal apostavam numa vitória tangencial de Kamala Harris, a candidata do Partido Democrático. E falharam. Falharam eles e perdemos nós, cidadãos.
A vitória retumbante de Trump e a derrota de Kamala coloca em evidência o fracasso da democracia capitalista na sede do imperialismo. Embora sejam, um e outra, as duas faces da mesma moeda, no caso o dólar, a vitória de Donald Trump, até há poucos anos um outsider dos conservadores republicanos, e a derrota de Kamala Harris mostram o esclerosamento e falência do bipartidarismo norte-americano.
Um sistema que Washington procura exportar, há décadas, para outros continentes. Em Palm Beach, na Florida, um dos filhos de Bolsonaro, da extrema-direita brasileira, convidado de Trump, desfilava ufano. No Brasil, Lula sabe o que fazer, se quiser preservar o regime democrático. Para isso, terá de reforçar os investimentos públicos. Uma tarefa difícil dada a composição direitista da Câmara dos Deputados e do Senado.
Uma eventual vitória de Kamala seria um mal menor, pelo menos no campo dos direitos sociais, a acreditar nas promessas eleitorais que fez. Mas, assim não será. A maioria de Trump, em todos os órgãos do poder, do legislativo ao judiciário, dá-lhe mão livre para levar por diante as suas políticas xenófobas e imperialistas.
A periclitante paz global, traduzida em milhares de mortes diárias nos conflitos que se prolongam em várias latitudes, pode estar ainda mais ameaçada. Os “falcões” do complexo industrial-militar aguçam as garras.
Que os deuses nos ajudem.

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