O governo do primeiro-ministro Montenegro começa a ser uma desilusão para os que votaram nele. As promessas feitas na campanha eleitoral, em jeito de salvador da pátria, começam a esfumar-se. Mas o primeiro, naquele fatinho apertado (deve estar na moda), continua a lançar promessas atrás de promessas.
Se é verdade que herdou um país cheio de dificuldades e atrasos que o anterior governo, do primeiro-ministro Costa – agora catapultado para presidente do Conselho Europeu (mal vai a União Europeia), não conseguiu ou, por opção, não quis resolver, na saúde, na educação, na administração pública, nas infraestruturas e por aí vai -, não é menos verdade que o governo da direitista Aliança Democrática tem mostrado, em geral, amadorismo e incapacidade para mudar ou corrigir o que está mal.
A pressa em arrumar “tachos” para os seus fiéis tem sido a prioridade, colocando a nu a inépcia de boa parte dos seus integrantes.
Enfim, dizem-me que ainda é cedo para fazer o diagnóstico, que é preciso dar mais tempo a Montenegro.
Lembro-me do ditado: “O que torto nasce, tarde ou nunca se endireita“. Não sei se será bem assim, mas receio que em relação a este governo o dito popular poderá estar certíssimo. As crises no Serviço Nacional de Saúde (SNS) tendem a agravar-se e a ministra parece olhar deslumbrada para o cargo que ocupa; na Administração Interna a situação não é muito diferente; na Justiça nada de novo; na Defesa, o ministro cavalga a onda de militarismo que entusiasma a direita e a extrema-direita; nos Negócios Estrangeiros, o titular anda sempre à procura da bússola…e por aí vamos!
A operação policial desencadeada sexta-feira (8) pelo governo no centro de Lisboa, na Mouraria, bairro onde vive grande número de imigrantes asiáticos, muitos deles comerciantes, foi, no mínimo, ridícula. Armados até aos dentes, como se fossem para uma batalha campal contra alguma organização terrorista, dezenas de polícias ocuparam a área. Resultado: Nenhum. Não encontraram imigrantes criminosos.
Quando um governo recorre à intimidação repressiva dos cidadãos dá um sinal de fraqueza ou até de desespero, mesmo quando o objetivo político é satisfazer os próceres da extrema-direita e seus aliados no governo.

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