|O Tribunal das Almas é o título do mais recente livro do meu amigo Fernando Paulouro das Neves, lançado no último sábado (9), no Fundão, município que, ao longo de décadas, o tem inspirado, primeiro como jornalista e diretor do antigo Jornal do Fundão , depois como escritor.
Conheci-o, um dia, em Brasília, por indicação do António Melo, já lá vão alguns anos. Paulouro tinha viajado para a capital brasileira acompanhado da Maria Eugénia. Deliciei-me, então, com as estórias com que nos presenteou em várias ocasiões de convívio. Depois, além dos contos por ele narrados, vívidos e plenos de riqueza humana, tive a oportunidade de os ler nos exemplares que ofereceu, a mim e à Christina.
Autor de crónicas em que descreve a rica policromia das serras, o linguajar dos povos, as estórias comuns aos habitantes das vilas e aldeias beirãs, a separação de mesas nos cafés, entre governistas de todos os tempos e oposicionistas, entre militantes de sempre e diletantes costumeiros, Paulouro avança agora no romance com “Os espiões de Deus e as Fogueiras”, subtítulo de “O Tribunal das Almas”, editado pela lisboeta “Guerra e Paz”, com o entusiasmo do amigo comum Edgar Valles.
Distinguido na Universidade de Salamanca (Espanha) com o título de sócio de honra pela Sociedade Ibero-Americana de Antropologia Aplicada, Medalha de Ouro da cidade do Fundão (2013), prémio Gazeta do Mérito do Clube dos Jornalistas e prémio Eduardo Lourenço atribuído pelo Centro de Estudos Ibéricos, Paulouro é autor, entre muitos outros, de Fellini na Praça Velha, Brasil em Mim, e O Informador.
Dedicado à mãe já falecida, Maria José Paulouro das Neves, lembra o autor que ela terá dito um dia que “o jornalista estava o matar o escritor e pediu-me que escrevesse um romance”. E assim o fez.
Não sei se o Fernando Paulouro lhe fez a promessa, mas o certo é que o romance saiu do prelo e já está nas livrarias. Depois do Fundão, a apresentação será no próximo dia 6 de dezembro, em Lisboa, na livraria Almedina, no Atrium Saldanha, pelas 18.00 horas.
Paulouro, cuja qualidade narrativa parecia ter sido esquecida, surge agora das neblinas serranas para nos encantar.

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