Portugal terá a 18 de maio eleições legislativas antecipadas. Menos de um ano após a anterior eleição para o parlamento, o governo minoritário do primeiro-ministro Luis Montenegro, do PSD (direita), caiu. Não tanto pela evidência do descalabro governativo, sobretudo nas áreas que mais afetam diretamente a população – designadamente o sucateamento e tentativa de privatização do Serviço Nacional de Saúde (SNS), os problemas na Educação, a falta de Habitação a preços acessíveis e a volta da inflação – mas por suspeitas de graves irregularidades que terão sido cometidas pelo até agora chefe do governo. Montenegro é protagonista de suposta promiscuidade entre a liderança do governo e interesses económicos privados, nomeadamente a prestação de serviços da empresa de consultoria de que era sócio-proprietário, até recentemente, à Solverde, a maior concessionária portuguesa de casinos.

Durante semanas, Montenegro passou da negação à justificação, das meias-verdades ao encobrimento descarado, do uso das funções governativas ao uso dos laços familiares, para se manter no poder e para se blindar.

É certo que Montenegro não inovou. Nas últimas cinco décadas após a revolução dos cravos, que devolveu ao país a democracia usurpada pelo regime fascista e colonialista, são mutos os casos de corrupção e de outras negociatas em que se envolveram membros do governo e parlamentares, sobretudo dos partidos de direita e centristas, do PSD e PS, que se têm alternado no poder.

Colocado perante uma situação de facto, não restou outra solução ao Presidente da República senão a de anunciar a dissolução do parlamento e marcação de eleições legislativas antecipadas para 18 de maio. Isto apesar das dezenas de comentadores que pululam nos diversos canais televisivos assegurarem, em geral, que os portugueses se opunham à queda do governo. Sustentavam a afirmação nas suas próprias percepções e, vá lá, em sondagens de opinião, cuja fiabilidade é duvidosa, já que margens de erro que chegavam aos 5% não serem tecnicamente aceitáveis.

Neste momento, quando o país já é palco de intensa campanha eleitoral, seria excessiva ousadia vaticinar resultados para a disputa que envolve uma dezena de partidos da extrema direita à esquerda. Os primeiros discursos dos principais contendores já mostraram o que podemos esperar: doses homéricas de demagogia, troca de acusações, diabolização dos adversários e ameaças apocalípticas. Tudo isto embrulhado em promessas vagas, nuns casos, e mirabolantes noutros.

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