Volto à escrita. Durante os últimos meses dediquei-me a não fazer nada, excepto o estritamente essencial para ir sobrevivendo. Aproveitei a dor incómoda causada pelo desgaste das cervicais – aliviada, no entanto, pelo gabapentine, receitado pelo neurocirurgião de Brasília -, para me acomodar numa preguiça entorpecedora ocupada por horas e horas de filmes e séries, na sua maioria merecedoras de serem lançadas, sem dó nem piedade, em uma qualquer lixeira digital. Mas, contraditoriamente, admito, é esse streaming que me ajuda a passar os dias, mergulhado entre recordações e divagações sobre os mais diversos conceitos de felicidade.

Pois, agora, embora correndo o risco de a dor me voltar a atormentar, resolvo pôr fim a este marasmo em que me lancei para fugir a outras dores que não as causadas pelo envelhecimento do esqueleto.

E, afinal, haverá dores maiores que o genocídio cometido pelo regime neofascista que comanda Israel, com o apoio dos eternos aliados, contra o povo palestiniano? ou a guerra fratricida entre a Ucrânia e a Rússia, que se prolonga, sem fim à vista? ou os focos de guerra que se perpetuam em África e na Ásia. As guerras parecem ser uma maldição lançada sobre a humanidade por algum deus cruel, como, afinal, o são todos.